O MRE (Ministério das Relações Exteriores) revogou nesta 6ª feira (13.mar.2026) o visto de Darren Beattie, assessor do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (republicano), para assuntos ligados ao Brasil.
Beattie planejava vir ao Brasil e visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, em Brasília, onde ele cumpre pena. O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a visita na 3ª feira (10.mar), mas depois voltou atrás em sua decisão.
O visto foi concedido com base em pedido encaminhado em 6 de março pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos ao Consulado-Geral do Brasil em Washington.
A revogação ocorreu porque, na visão do governo brasileiro, houve omissão e falseamento de informações relevantes sobre o motivo da viagem. Portanto, aplicou-se o princípio de reciprocidade para cancelar o visto. A legislação permite negar ou cancelar o visto quando o solicitante apresenta informações incompletas ou incorretas.
Itamaraty informou ao ministro Alexandre de Moraes que o visto de Darren Beattie foi concedido para participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos. O evento será realizado no dia 18 de março em São Paulo.
A visita a Bolsonaro não constou dos objetivos informados pelo governo dos Estados Unidos.
Beattie também buscou uma reunião com representantes do Itamaraty. A sondagem foi feita pela embaixada dos EUA em Brasília na 4ª feira (11.mar.2026). Não houve pedido formal de agenda ao ministério, apenas trocas de mensagens por e-mail e WhatsApp.
A decisão ocorre em meio a um momento de maior tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Autoridades brasileiras também discutem propostas recentes de cooperação em segurança apresentadas por Washington.
Entre os temas em debate está a ampliação da cooperação no combate ao crime organizado internacional. O assunto envolve organizações como o PCC (Primeiro Comando da Capital), o CV (Comando Vermelho) e redes transnacionais investigadas por autoridades americanas.
O governo de Trump quer enquadrar esses grupos como terroristas, o que preocupa o governo brasileiro por violar a legislação do próprio país e abrir precedente para intervenções no território brasileiro.


