A defesa do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, reforçou, em nota publicado neste sábado (7.mar.2026), que fez, em 16 de fevereiro, um pedido ao STF (Supremo Tribunal Federal) para acesso integral aos elementos técnicos das perícias realizadas nos aparelhos eletrônicos do banqueiro que foram apreendidos no curso da investigação.
“O acesso permitirá a análise independente do material por assistente técnico indicado pelos advogados, conforme previsto na legislação processual. A intenção é avaliar os procedimentos adotados na obtenção e no tratamento das provas digitais”, afirmam os advogados, que querem avaliar os procedimentos adotados na obtenção e no tratamento das provas digitais.
Segundo os advogados, o pedido ganhou “especial relevância” após a divulgação das mensagens e arquivos extraídos do celular de Vorcaro. Para a defesa, as publicações levantam preocupações sobre a preservação da integridade do material e sobre eventual manuseio inadequado das informações.
Entre as solicitações apresentadas ao Supremo estão o acesso aos dados brutos extraídos dos aparelhos, às imagens forenses completas, aos laudos periciais, aos registros técnicos de extração e aos códigos de verificação usados para assegurar a integridade das evidências.
Os advogados também reiteraram preocupação com o que classificaram como “vazamentos seletivos” de conteúdos que estariam sob sigilo judicial. A defesa afirmou que qualquer material obtido será utilizado exclusivamente para fins processuais e que manterá o sigilo das informações.
O Poder360 teve acesso aos dados. Um dos arquivos centrais trata-se de um documento em texto com 1.687 páginas de mensagens trocadas entre Vorcaro e sua ex-namorada, Martha Graeff. As conversas são de 2 de outubro de 2024 a 31 de agosto de 2025. Leia a íntegra (PDF – 16 MB).
A partir dessas mensagens, o Poder360 mostrou, por exemplo, o encontro do banqueiro com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e sua relação com o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Já outras mensagens indicam proximidade do empresário com o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Também há relatos sobre reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em dezembro de 2024.
Registros de agenda, e-mails e mensagens de Vorcaro mostram também os gastos com viagens internacionais, eventos e encontros em locais de alto padrão na rotina do fundador do Banco Master. Os dados contêm balanços contábeis de gastos no exterior, transferências internacionais e despesas relacionadas a festas, shows, hospedagens para terceiros e contratação de voos privados e motoristas particulares. Os dados contemplam períodos de 2023 a 2024.
Além das despesas pessoais, os documentos também mostram registros de compromissos e encontros ligados à atividade empresarial. Mensagens também mostram que Vorcaro presenteou o investidor Nelson Tanure, que foi alvo da 2ª fase da operação, com um relógio da Jaeger-LeCoultre, uma das mais prestigiadas fabricantes de relógios de luxo do mundo.
Na 6ª feria (6.mar.2026), o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a abertura de um inquérito para investigar vazamento das informações do celular do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Leia a íntegra (PDF – 179 KB).
Na decisão, o ministro destacou que o compartilhamento da quebra de sigilo não autoriza o vazamento das informações por integrantes da CPI. “Bem ao contrário, enseja, pela autoridade que recebeu a informação de acesso restrito, a responsabilidade pela manutenção do sigilo. Isso porque, a toda evidência, a eventual quebra de sigilo não torna públicas as informações acessadas“, declarou o ministro.
Eis a íntegra da nota:
“A defesa de Daniel Vorcaro protocolou petição no Supremo Tribunal Federal, ainda no dia 16 de fevereiro, solicitando acesso integral aos elementos técnicos das perícias realizadas nos aparelhos eletrônicos apreendidos no curso da investigação. O requerimento ganhou agora especial relevância diante de notícias amplamente divulgadas na imprensa com supostas mensagens extraídas dos aparelhos, o que levanta preocupação sobre a preservação da integridade do material e sobre eventual manuseio precipitado ou tecnicamente inadequado das informações.
“O pedido busca garantir a observância das regras de cadeia de custódia da prova digital e assegurar o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Entre as solicitações apresentadas estão o acesso aos dados brutos extraídos dos dispositivos, às imagens forenses completas, aos laudos periciais, aos registros técnicos de extração e aos códigos de verificação que asseguram a integridade das evidências.
“O objetivo é permitir a análise independente por assistente técnico da defesa, conforme previsto na legislação processual, garantindo que a prova digital seja examinada com transparência, integridade e respeito ao devido processo legal, inclusive para avaliar a licitude dos procedimentos utilizados na obtenção dessas provas.
“A defesa reiterou mais uma vez sua preocupação com vazamentos seletivos de conteúdos que estariam sob sigilo judicial e reafirmou seu compromisso de utilizar qualquer material obtido exclusivamente para fins processuais, preservando o sigilo das informações.”
Solto em 28 de novembro, depois de 11 dias preso, Vorcaro voltou a ser detido na 4ª feira (4.mar.2026) na 3ª fase da operação Compliance Zero. A ação apura um grupo apontado pela PF como responsável por monitorar e intimidar adversários de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Leia a íntegra da decisão (PDF – 384 kB).
Ao ser preso, Vorcaro foi levado para a Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, em cela de isolamento —procedimento aplicado a novos detentos que chegam à unidade. Na 6ª feira (6.mar), por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, o empresário foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, de segurança máxima.
Assista ao vídeo da transferência(50s):
Vorcaro apareceu com o cabelo aparado e a barba raspada em fotos oficiais do sistema prisional divulgadas. As imagens mostram o empresário de frente e de perfil, com identificação da Polícia Penal, e foram feitas depois de ele vestir o uniforme padrão –calça bege e camiseta branca– no Complexo Penal II de Guarulhos, em Guarulhos (SP).
A PF (Polícia Federal) afirmou nesta 6ª feira (6.mar.2026) que nenhum relatório sobre as investigações relacionadas a fraudes do Banco Master continha dados da vida privada ou da intimidade dos investigados.
O comunicado fala que o diretor-geral da PF orientou que a equipe responsável pelas investigações do Master fizesse uma representação para apurar a divulgação indevida das informações sigilosas.
A nota cita que os materiais apreendidos na investigação foram disponibilizados apenas para as defesas dos investigados e para os congressistas da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS, que receberam os dados referentes ao objeto da comissão por determinação do atual relator do processo.
“Nenhum relatório, informação de polícia judiciária ou representação apresentada pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, conteve dados que não fossem relevantes para a instrução das investigações. Não foram incluídas, portanto, informações relacionadas à intimidade ou à vida privada dos investigados”, afirmou. Leia a íntegra.
A corporação afirmou que não tem competência para editar conversas, selecionar ou manipular dados extraídos de equipamentos apreendidos. Segundo a nota, as provas ficaram apreendidas com a PF desde novembro e com a PGR (Procuradoria Geral da República), desde janeiro.
“Posteriormente, por decisão do então Ministro Relator do processo, a defesa dos investigados passou a ter acesso à integralidade dessas informações. Da mesma forma, a CPMI do INSS recebeu dados referentes ao objeto da comissão por determinação do atual relator do processo”, declarou.
O ministro Dias Toffoli declarou na 6ª feira (6.mar) que, enquanto esteve na relatoria das investigações sobre o Banco Master, não teve acesso às informações encontradas no celular do fundador da instituição, Daniel Vorcaro. Segundo o ministro, ele autorizou a análise dos celulares, computadores e HDs apreendidos, mas afirmou que “nada foi encaminhado ao STF”. Eis a íntegra (PDF – 225 kB) da nota.
Em comunicado, o gabinete recapitulou as decisões tomadas no período em que Toffoli esteve na relatoria do inquérito, de 28 de novembro de 2025 a 12 de fevereiro de 2026. O ministro disse que seu último ato à frente do caso foi determinar que a PF enviasse o material ao Supremo.
“Deferi todas as medidas requeridas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. As investigações continuaram a ser realizadas normalmente e de forma regular, sem prejuízo da apuração dos fatos, e nenhum pedido de nulidade foi deferido”, declarou.
Toffoli voltará a se manifestar no caso Master a partir de 13 de março, quando a ordem de prisão preventiva de Vorcaro será analisada pela 2ª Turma do STF. O ministro André Mendonça, que autorizou a 3ª fase da operação Compliance Zero, remeteu a decisão para referendo do colegiado.
O Poder360 procurou a PF para perguntar se gostaria de se manifestar sobre a nota de Toffoli. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.


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