O volume de vendas no varejo brasileiro cresceu 1% em novembro na comparação com outubro, marcando a segunda alta seguida, aponta a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (15).
De acordo com Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal do Comércio, o movimento representa uma sequência de resultados positivos que não era observada desde o início do ano passado.
Segundo ele, em fevereiro e março, os avanços ficaram em 0,5% e 0,7%, enquanto em outubro e novembro os resultados foram de 0,5% e 1%, respectivamente.
Na passagem de outubro para novembro de 2025, com ajuste sazonal, sete das oito atividades do varejo apresentaram crescimento no volume de vendas.
O maior avanço foi observado em equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com alta de 4,1%. Em seguida apareceram móveis e eletrodomésticos (2,3%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (2,2%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (2%).
Também registraram crescimento: livros, jornais, revistas e papelaria (1,5%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1%); e combustíveis e lubrificantes (0,6%).
O único resultado negativo foi do segmento de tecidos, vestuário e calçados, que recuou 0,8% no período.
Segundo Cristiano Santos, o desempenho setorial foi influenciado pela Black Friday. Ele acrescenta que os setores que mais cresceram foram os ligados a equipamentos de informática e móveis e eletrodomésticos, impulsionados por promoções de produtos como celulares, computadores e móveis.
O economista Maykon Douglas reforça que a Black Friday proporcionou um alívio ao setor, especialmente para itens como equipamentos de escritório e móveis/eletrodomésticos, que são mais sensíveis ao crédito e que, por isso, sofrem mais em cenários de juros muito elevados.
Nesse contexto, considera que o varejo em novembro foi puxado pela parte mais sensível à renda, que havia crescido pouco nos últimos meses.
No comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos e material de construção, o volume de vendas cresceu 0,7% em novembro frente a outubro, na série com ajuste sazonal.
Nesse recorte, o setor de material de construção avançou 0,8%, enquanto veículos e motos, partes e peças, registraram queda de 0,2%.
“O varejo ampliado teve um crescimento mais modesto, de 0,7%, muito por conta do desempenho de veículos, motos, partes e peças, que vem no campo negativo e devolve uma alta forte em outubro”, afirma o gerente da pesquisa.
O setor citado por Santos (veículos e motos, partes e peças) registrou um recuo de 5,8% na comparação anual, enquanto material de construção, teve baixa de 3%.
Em sentido oposto, o atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou crescimento de 0,9% no mesmo período.
Maykon Douglas avalia que o setor segue em nítida desaceleração, que tende a continuar no curto prazo. Porém, destaca que o varejo deve ter tido um desempenho melhor no fim do ano passado, principalmente o varejo ampliado, devido a uma base estatística mais deprimida.
Na comparação com novembro de 2024, o volume de vendas do varejo restrito cresceu 1,3%, com altas em cinco das oito atividades pesquisadas.
Os principais avanços ocorreram em equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (9,9%), artigos farmacêuticos (7,2%), livros, jornais, revistas e papelaria (5,9%), móveis e eletrodomésticos (5,2%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (4,7%).
Regionalmente, frente a novembro de 2024, o varejo apresentou taxas positivas em 21 das 27 Unidades da Federação. Os maiores avanços foram observados em Rondônia (13,4%), Rio Grande do Norte (8,2%) e Amapá (8,2%).
Por outro lado, cinco estados tiveram resultados negativos, com destaque para Tocantins (-3%), Piauí (-2,1%) e Roraima (-1,8%). Goiás registrou estabilidade, sem variação em novembro de 2025.
No comércio varejista ampliado, a comparação com novembro de 2024 mostrou resultados positivos em 20 das 27 Unidades da Federação, com destaque para Rondônia (9,2%), Amapá (6,8%) e Mato Grosso do Sul (6,8%).
Já entre os estados com desempenho negativo, os principais impactos vieram do Piauí (-3,8%), Rio Grande do Sul (-3,4%) e São Paulo (-2,7%).
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