As falhas em cascata do Presidente Donald Trump na guerra do Irão — desde o encerramento do Estreito de Ormuz até ao colapso da sua fantasia de mudança de regime — resultam de uma única falha fatal: o presidente não acredita realmente que outras pessoas tenham agência, argumentou o colunista do New York Times Jamelle Bouie na quarta-feira.
E isso deixa-o vulnerável.
"Ao longo das suas décadas no palco público, vimos poucas ou nenhumas evidências de que ele acredite na existência de outras mentes", escreveu Bouie, chamando Trump "sem dúvida, a pessoa mais solipsista que alguma vez ocupou o Salão Oval."
O resultado, argumentou Bouie, é uma administração que continua a ser apanhada desprevenida pelas consequências inteiramente previsíveis das suas próprias ações, desde a indignação pública sobre o DOGE, até à reação negativa sobre a deportação indevida de Kilmar Abrego Garcia, até à decisão do Irão de fechar o Estreito de Ormuz e retaliar contra os aliados do Golfo.
Nada disso, de acordo com Bouie, foi planeado.
Trump parece ter esperado que o Irão cedesse da mesma forma que a Venezuela fez no início deste ano, uma "fantasia de repetição" que desde então colidiu com uma realidade mais complexa, escreveu Bouie. Isso deixou-o preso numa "espiral de escalada", em que o presidente não tem escolha senão continuar a dobrar a aposta quando uma abordagem falha.
Bouie pressionou a questão de por que a Casa Branca não consegue ver o que outros poderiam facilmente prever.
"Isto chega ao verdadeiro problema. Trump é notoriamente indiferente às preocupações daqueles que o rodeiam", escreveu, atribuindo ao presidente o rótulo de "narcisista consumado".
A falha de Trump é uma oportunidade para a oposição, acrescentou Bouie. Ele é "um presidente fraco e profundamente impopular", que também é "amaldiçoado com uma espécie de cegueira", escreveu Bouie. Isso significa que ele não consegue ver que a sua "oposição é real", e não a verá quando ela agir, concluiu Bouie.

