Ibovespa cai aos 177 mil pontos com tensão no Oriente Médio e recuo de blue chips como Vale (VALE3)
O Ibovespa perdeu força no fim do pregão desta sexta-feira (13) e voltou a mergulhar para a faixa dos 177 mil pontos, pressionado pelo aumento da aversão a risco global e pela saída de fluxo estrangeiro. O índice encerrou o dia em queda de 0,91%, aos 177.653,31 pontos, nível visto pela última vez no fim de janeiro.
A piora no humor dos investidores ocorreu principalmente na segunda metade da sessão, quando o mercado passou a reduzir posições diante das incertezas sobre os próximos desdobramentos da guerra no Oriente Médio durante o fim de semana.
Na semana, o Ibovespa acumulou queda de 0,95%, após já ter recuado 4,99% na semana anterior. Com isso, o ganho no ano foi reduzido para 10,26%, enquanto em março o índice já registra queda de 5,90%.
O aumento da cautela global também pressionou o câmbio. O dólar comercial fechou o dia em alta de 1,41%, a R$ 5,3163.
Em Nova York, as principais bolsas também terminaram no vermelho:
• Dow Jones caiu 1,43%, aos 38.714 pontos
• S&P 500 recuou 1,58%, aos 5.206 pontos
• Nasdaq perdeu 1,95%, aos 16.271 pontos
Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o movimento reflete o ambiente global mais defensivo.
“O mercado acionário brasileiro se ressente do ambiente avesso a risco nos mercados globais, impactados principalmente pelo conflito no Irã e pela alta do petróleo, que afeta as perspectivas para inflação e juros globais”, afirma.
Outro fator que aumentou a cautela dos investidores foi o reajuste do diesel anunciado pela Petrobras (PETR3; PETR4).
A estatal elevou em 11,6% o preço do combustível nas refinarias, com o litro passando a custar R$ 3,65 a partir deste sábado.
Para Bruno Perri, o movimento reforça as preocupações com inflação e política monetária.
“A alta do dólar e do petróleo, somadas ao IPCA de fevereiro e ao aumento dos combustíveis pela Petrobras, mexem com as perspectivas de inflação e com o corte de juros no próximo Copom”, diz.
Segundo ele, o cenário também impacta a curva de juros e as expectativas sobre o ciclo de afrouxamento monetário.
“Isso pressiona as taxas de desconto utilizadas no mercado e acaba refletindo diretamente na bolsa local.”
Entre os destaques positivos do pregão apareceram:
• SLC Agrícola (SLCE3): +2,51%
• BB Seguridade (BBSE3): +1,98%
• TIM (TIMS3): +1,49%
Na outra ponta, as maiores quedas ficaram com:
• Braskem (BRKM5): -6,97%
• CSN (CSNA3): -6,23%
• Hapvida (HAPV3): -6,17%
Segundo Bruno Perri, os movimentos também refletem fatores específicos das empresas. “CSN é fortemente impactada pelos resultados do 4T25, com prejuízo líquido e alto endividamento, enquanto Hapvida reage ao noticiário envolvendo a empresa e movimentações financeiras de Daniel Vorcaro”, explica.
Entre as blue chips, Vale (VALE3) caiu 1,19%, enquanto Petrobras (PETR4) recuou 0,73% mesmo com a alta do petróleo Brent, que terminou o dia em US$ 103,43 por barril.
Com o aumento das incertezas geopolíticas, a pressão inflacionária provocada pelo petróleo e a proximidade das decisões de juros do Copom e do Federal Reserve na próxima semana, investidores seguem adotando postura mais defensiva. Nesse cenário de cautela global, o Ibovespa encerra a semana pressionado e sensível aos próximos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.


