De saída do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os ministros Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e Renan Filho (Transportes) anunciaram nesta 5ª feira (12.mar.2026) investimentos que somam mais de 2,08 bilhões no Paraná. As obras fazem parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Lula esteve presente, mas não discursou. O governador do Estado, Ratinho Jr. (PSD), não estava na cerimônia.
O momento é de rearranjo político no governo. Renan Filho deixará o cargo para disputar o governo de Alagoas. Silvio Costa Filho concorrerá ao Senado por Pernambuco. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também presente, deve se afastar do governo até o fim de março para assumir vaga no Senado pelo Paraná.
Durante o discurso, Renan Filho adotou o tom mais explícito de disputa política. Comparou a atual gestão à do governo anterior e afirmou que “o mentiroso pode até enganar alguém por um tempo, pode até almoçar na casa da pessoa, mas à tarde a verdade aparece”.
Ele não citou nomes, mas falou de obras que teriam sido anunciadas sem projeto em gestões anteriores. Em 2021, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) visitou Maringá, onde discursou e participou de uma motociata com apoiadores.
Renan afirmou que o modelo adotado pelo governo busca ampliar a infraestrutura e aproximar o padrão logístico do Estado ao de São Paulo. Também citou obras como o Contorno de Maringá e a pavimentação de trechos da Estrada Boiadeira, estimada em R$ 343 milhões.
Gleisi Hoffmann destacou a conclusão do último trecho da Estrada Boiadeira como “um sonho antigo” do Estado e citou uma lista de obras concluídas durante o atual mandato. Também mencionou investimentos nos aeroportos de Curitiba, Foz do Iguaçu e Londrina, além da Ponte da Integração Brasil–Paraguai.
O ministro dos Transportes elogiou o volume de recursos destinados ao Estado. Segundo ele, concessões rodoviárias já contratadas devem atrair R$ 100 bilhões em investimentos privados no Paraná.
“É importante registrar o papel institucional do presidente Lula que, independentemente da coloração partidária ou de posicionamentos políticos, tem investido nos Estados brasileiros”, disse. O nome de Costa Filho foi costurado por Arthur Lira (PP-AL), à época presidente da Câmara dos Deputados. O presidente tirou Márcio França (PSB) da pasta para acomodar o Centrão.
O principal anúncio foi a 1ª concessão de canal de acesso a um porto na história do Brasil. O contrato cobre a administração do acesso aquaviário ao Porto de Paranaguá, com investimento de R$ 1,2 bilhão por 25 anos. As obras incluem dragagem, aprofundamento do canal e modernização da sinalização marítima.
Silvio Costa Filho definiu o ato como uma “marca histórica” e afirmou: “É a primeira vez na história do país que estamos assinando a concessão de um canal de acesso portuário no Brasil”.
O calado do porto será ampliado de 13,5 para 15,5 metros, permitindo receber navios maiores. Paranaguá é o 2º maior porto do Brasil e o principal escoador de fertilizantes do país.
Outros anúncios:
Renan Filho afirmou que as 6 concessões rodoviárias firmadas no Paraná atraíram R$ 100 bilhões em investimentos privados —volume que, segundo ele, equivale a 3 vezes o total investido pelo governo anterior em infraestrutura no país inteiro.
O ministro disse que o governo federal destinará entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões em obras públicas no mandato atual, além de aportes da Petrobras e de outras empresas. O DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) investiu R$ 296 milhões no Estado em 2025 e prevê R$ 500 milhões em 2026.
As obras integram o Novo PAC, que reúne projetos financiados por diferentes fontes, como Orçamento federal, estatais, concessões à iniciativa privada e financiamentos. O detalhamento da origem dos recursos de cada obra não foi apresentado nos discursos nem no material do evento.



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