O mapeamento mostra que o peso do salário como critério de escolha cresceu nos últimos dois anos — Foto: Getty Images
O salário é o principal fator de atração para um novo emprego, mas não é suficiente para garantir a permanência dos profissionais nas empresas, segundo o primeiro capítulo da série Panorama do Trabalho no Brasil, um mapeamento realizado pela Serasa Experian com 1.521 profissionais de diferentes gerações e regiões do país, divulgado nesta quarta-feira (11).
O mapeamento mostra que o peso do salário como critério de escolha cresceu nos últimos dois anos, passando de 31,1% em 2023 para 33,1% em 2025. Mas, apesar de a remuneração liderar a decisão de entrada, aspectos ligados à qualidade da experiência profissional ganham relevância quando o tema é permanência. O equilíbrio entre vida pessoal e profissional aparece como prioridade para 16,2% dos entrevistados, seguido por estabilidade e plano de carreira, com 11,2%.
“O salário continua sendo a principal porta de entrada, mas ele não sustenta sozinho uma relação de longo prazo. O que o mapeamento mostra é um profissional mais consciente, que entra pelo pacote financeiro, mas avalia a permanência a partir da experiência real que a empresa oferece no dia a dia, como equilíbrio, previsibilidade e coerência entre discurso e prática”, afirma Fernanda Guglielmi, gerente de Recursos Humanos da Serasa Experian, em nota.
O mapeamento destaca que o peso do salário na escolha do emprego é mais forte entre os Millennials, com 36,6%, seguido da Geração Z (35,3%) e da Geração X (31,2%). Entre os Baby Boomers, 21,3% apontam a remuneração como prioridade.
Já a estabilidade e o plano de carreira ganham mais relevância entre os profissionais mais experientes: 12,5% dos Baby Boomers e 10,9% da Geração X indicam esse fator como central na decisão.
“Cada geração se relaciona com o emprego a partir de suas vivências e prioridades. Enquanto os mais jovens tendem a valorizar mais a remuneração no curto prazo, profissionais mais experientes buscam previsibilidade e construção de carreira. Para as empresas, entender essas diferenças é fundamental para desenhar estratégias de atração e retenção mais eficazes”, afirma a gerente.
O mapeamento mostra também quais critérios são considerados inegociáveis para aceitar uma oferta de trabalho. Para 44,1% dos profissionais, benefícios estruturais, como plano de saúde e vales, são indispensáveis. Outros 30,5% afirmam que não aceitariam uma vaga sem práticas que promovam equilíbrio entre vida pessoal e profissional, enquanto 26,9% apontam a ausência de estabilidade e plano de carreira como impeditivo.
Bônus e remuneração variável aparecem na quarta posição, com 19,1%, seguidos de autonomia para tomar decisões, com 16,8%.
Entre os profissionais da Geração Z, 47,4% não aceitariam uma vaga sem benefícios, percentual semelhante ao observado entre Millennials (46,1%). Na Geração X, o índice é de 41,7%, enquanto entre os Baby Boomers chega a 39%.
“Benefícios e condições estruturais deixaram de ser diferenciais e passaram a ser pré-requisitos. Quando esses elementos não estão garantidos, a relação já começa fragilizada, independentemente da geração”, afirma Fernanda.


