O Ministério do Trabalho estima que o setor de transporte aéreo, que tem 53,2% dos trabalhadores na escala 6 X 1, será o mais impactado por uma eventual redução na jornada de trabalho. Os dados foram apresentados pelo governo na 3ª feira (10.mar.2026), na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara.
Atualmente, 14,8 milhões de trabalhadores brasileiros atuam nesse modelo de contrato, o que representa 33,2% do total.
A mudança é uma das principais bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026. O colegiado ouviu o ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT). Leia a íntegra da apresentação do ministério (PDF – 21 MB).
Leia quais seriam os mais impactados por uma redução na jornada de trabalho e o percentual de trabalhadores de cada setor que atuam na escala 6 X 1:
Ainda segundo o levantamento do governo, micro e pequenas empresas têm 35% dos trabalhadores na escala 6 X 1, enquanto o setor agropecuário tem 35,4%. Já os empregadores domésticos têm 3% nesse modelo de contrato.
Segundo o Ministério do Trabalho, o custo médio de uma redução na jornada seria de 4,7% na massa salarial paga pelas empresas. O valor, porém, pode variar a depender do setor. O transporte aquaviário e a indústria de alimentos seriam as áreas mais afetadas por uma redução. Nesses casos, o impacto poderia superar 10,5%.
Já setores como construção, agropecuária e comércio vêm em seguida com impactos acima da média: variação de 7,8% a 8,6% no custo das empresas.
Os dados estimam que os Estados com fronteiras agrícolas seriam os mais afetados por uma redução na jornada de trabalho. Tocantins, com 48,11% dos trabalhadores no modelo 6 X 1, e Roraima, com 43,9%, por exemplo, seriam os mais impactados.
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) em discussão na CCJ junta as PECs apresentadas pela deputada Érika Hilton (Psol-SP) e pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Foi enviada à comissão pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em 9 de fevereiro.
Marinho disse na CCJ que a redução de jornada é “plenamente factível e sustentável” e que “esse papo de estrangulamento ou dificuldade para economia brasileira” que o fim da escala poderia resultar “tinha desde a escravidão”.
O ministro afirmou que o governo defende a redução para 40 horas semanais e que “não caberia implementar 36 horas imediatamente”, como estabelece a PEC. Para ele, o custo de menos horas trabalhadas será absorvido por mais produtividade.


