Até semana passada, Timothée Chalamet era o franco favorito ao Oscar de melhor ator por sua atuação em Marty Supreme.
Até que o peixe (provavelmente) morreu pela boca.
Em 21 de fevereiro, num evento da revista Variety e da CNN, o ator de Me chame pelo seu nome (2017) e Wonka (2023) declarou que “não gostaria de trabalhar com balé e ópera”, formas de arte que segundo ele estão morrendo e com as quais as pessoas “não se importam.”
Acontece que muitas pessoas se importam sim – e para azar de Chalamet, uma delas decidiu jogar o trecho polêmico na internet na semana passada.
O que despertou a fúria de mais gente – de Whoopi Goldberg, que classificou a fala dele como desrespeitosa, a casas de ópera como o Metropolitan, de Nova York, e o Royal Ballet, de Londres, ambas com publicações que citaram o caso no Instagram.
Passivo-agressiva, a ópera de Seattle divulgou o cupom de desconto TIMOTHEE, que deixou ingressos 14% mais baratos no último fim de semana.
Quanto mais o tema esquenta, mais a internet fala dele, e o movimento antichalametiano passou a encampar não só bailarinos, sopranos, tenores, músicos e demais ofendidos diretamente, como humoristas que decidiram dar sua contribuição para a conversa. “Ser magrelo e pálido não quer dizer que ele ficava dentro de casa lendo livros. Ele não é inteligente!”, alfinetou a comediante Phoebe Robinson.
Deselegantes em qualquer contexto, as declarações ganham contornos de insanidade quando acontecem em plena votação do Oscar — para sorte de Chalamet, o clipe viralizou apenas no dia 6, quando as urnas da premiação já estavam fechadas, mas é possível que antes disso alguns eleitores tenham sido impactados.
Entre a mídia especializada dos Estados Unidos, há quem considere que suas chances evaporaram depois do episódio. Porém, existe uma percepção em Hollywood que isso já vinha acontecendo devido a outras escolhas de Chalamet durante sua campanha. Em vez de um itinerário mais “beija-mão”, com foco em arregimentar apoio de integrantes da academia (o que seria a escolha mais ortodoxa), ele preferiu escolhas mais virais, como aparições em podcasts de comédia, vídeos musicais e eventos informais.
Esta é a terceira indicação de Chalamet ao prêmio de melhor ator. Desta vez, ele chegou a ser apontado como favorito depois de ganhar o Globo de Ouro e o Critics Choice Award. Depois saiu um pouco do foco ao não levar o BAFTA e o Actor Awards (antigo SAG Awards).
Dificilmente o episódio vai prejudicar sua carreira de maneira séria, como aconteceu com Karla Sofia Gascón, a última “cancelada” em situação similar. Em 2025, tweets preconceituosos da protagonista do filme Emilia Perez destruíram a campanha de dezenas de milhões de dólares da Netflix. O filme, que começou a corrida do Oscar com treze indicações, levou apenas duas.
Gascón, no entanto, não só não é norte-americana como estava ainda se tornando um nome conhecido do público de lá. Chalamet, por outro lado, atrai público aos cinemas, emenda um projeto enorme no outro e combina tudo isso com respeito da crítica.
Agora, se seu jeito peculiar de fazer campanha e a bobagem que falou fizeram estrago, saberemos no domingo, na entrega do Oscar.
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