Pouco mais de uma semana após o ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, a cotação do petróleo ultrapassou, no domingo, 8 de março, a barreira dos US$ 100 por barril, pela primeira vez em quatro anos.
O aumento dos preços ocorre em meio a contínua tensão causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam entre 20% e 30% da produção mundial de petróleo.
Impossibilitados de enviar petróleo bruto para mercados globais, produtores no Iraque, quinto maior fornecedor mundial, começaram a ficar sem espaço para armazená-lo, o que fez o país reduzir em mais de dois terços a sua produção. No Kuwait, os tanques também já se encheram.
A Aramco, maior empresa de petróleo do mundo, também parece estar diminuindo sua produção. Segundo fontes, a empresa começou a reduzir a produção em dois de seus campos petrolíferos, que não foram especificados. Na semana passada, a companhia já havia fechado sua maior refinaria de petróleo na Arábia Saudita.
Caso a situação permaneça, pode haver uma paralisação na produção do petróleo, o que seria o pior cenário possível para o mercado. Esse risco já provocou quedas nos mercados de ações mundiais por conta do risco de inflação e de estagnação econômica.
Na manhã desta segunda-feira, 9 de março, as bolsas da Europa recuavam cerca de 2%, enquanto o Nikkei encerrou o pregão em queda superior a 5%. Os futuros de Nova York também registravam perdas de 1%.
Por conta desses impactos, os ministros das Finanças do G7 vão discutir uma possível liberação conjunta de petróleo de suas reservas, que seria coordenada pela Agência Internacional de Energia, como uma medida de emergência.
Segundo o Financial Times, três países do G7, incluindo os EUA, já manifestaram apoio à ideia. Uma fonte do jornal britânico afirmou que alguns americanos acreditam que uma liberação conjunta na faixa de 300 milhões a 400 milhões de barris, o que equivale a 25% a 30% dos 1,2 bilhão de barris da reserva, seria apropriada.
Na reunião, os líderes devem ter em vista a pressão inflacionária causada pelo aumento dos preços do petróleo que, na visão dos especialistas, pode causar danos duradouros ao crescimento econômico de todo o mundo.
China, Índia, Coreia do Sul, Japão, Alemanha, Itália e Espanha estão entre os maiores importadores de petróleo bruto, o que os coloca em uma posição de vulnerabilidade com o avanço dos preços da commodity.
Desde a criação da AIE em 1974, foram realizadas apenas cinco liberações coletivas de petróleo por parte dos membros da organização. As duas últimas ocorreram em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
No Brasil, os impactos também são sentidos. Com o avanço dos preços, a Petrobras se vê pressionada a reajustar o valor dos combustíveis, já que eles estão sendo vendidos abaixo da média praticada no mercado internacional.
Amparada nos resultados do quarto trimestre de 2025, em que o aumento da produção garantiu desempenho positivo, a estatal entende que está preparada para enfrentar qualquer cenário e não vê motivos para alterar o rumo de sua política de preços, pelo menos até o momento.


