O Tehran Times, jornal diário iraniano publicado em inglês, anunciou no domingo (8.mar.2026) qual seria a sua capa nesta 2ª feira (9.mar): os retratos de 100 crianças, acompanhados de seus nomes, que, segundo a publicação, foram “mortas em 28 de fevereiro, 1º dia do ataque dos Estados Unidos e de Israel, em uma escola em Minab, cidade no sul do Irã”. Na manchete, a frase: “Trump, olhe-os nos olhos”.
A imagem da capa foi divulgada no perfil da publicação no X. “A edição de amanhã do ‘Tehran Times’. Acompanhe para saber a verdade”, afirmou o post.
Autoridades do Ministério da Saúde iraniano e a mídia estatal do país afirmam que o ataque à escola Shajarah Tayyebeh, dos anos iniciais do ensino fundamental, deixou ao menos 175 mortos, a maioria crianças. Como sábado marca o início da semana útil no Irã, estudantes e professores estavam nas salas de aula no momento do ataque.
O Departamento de Defesa dos EUA disse que conduz uma investigação para saber se o país foi o responsável pelo ataque. Na 5ª feira (5.mar), o jornal norte-americano The New York Times publicou reportagem afirmando que uma análise das imagens sugere que a escola foi atingida durante uma ofensiva norte-americana contra uma base naval do Irã.
Segundo o Tehran Times, as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), sobre a campanha militar contra o Irã têm sido marcadas por “um padrão de alegações comprovadamente falsas, desvio de responsabilidade por atrocidades e uma rejeição desafiadora de soluções diplomáticas”.
O jornal, controlado pelo regime iraniano, acrescentou que Trump tem evitado perguntas sobre o ataque à escola em Minab, e, na semana passada, afirmou acreditar que o Irã estaria por trás do ataque.
“Essa alegação, reiterada diversas vezes apesar de um conjunto de evidências que cresce rapidamente apontando para um bombardeio liderado pelos EUA, é um exemplo flagrante de falsidade deliberada”, escreveu o Tehran Times.
A publicação iraniana cita reportagens da CNN, do New York Times, da Reuters, do Wall Street Journal e da Al Jazeera como exemplos do que chama de “conjunto de evidências”.
Assista a imagens do ataque atribuído aos EUA e a Israel (39s):
Os EUA e Israel lançaram a operação militar conjunta contra o Irã no sábado (28.fev). No anúncio do início da campanha militar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou que o objetivo era pôr fim ao programa nuclear do regime persa e atuar em defesa dos norte-americanos. Trump também disse que a “a hora da liberdade” dos iranianos estava próxima.
Mais tarde, Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (Likud, direita), confirmaram a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, de 86 anos, em 1 dos ataques realizados na manhã de sábado (28.fev) em Teerã. Posteriormente, o governo iraniano corroborou a informação e decretou 40 dias de luto oficial.
Desde o início do conflito, o Irã já atacou ao menos 14 países em retaliação à morte de Khamenei, incluindo vizinhos árabes aliados dos EUA como Arábia Saudita, Emirados Árabes, Qatar, Bahrein e Kuwait.
O ataque dos EUA ao Irã foi realizado depois de semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.
Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.
No discurso do Estado da União, na 3ª feira (24.fev), Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.
As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.
Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.
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