A Polícia Federal identificou 4 núcleos de atuação no esquema criminoso liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A estrutura envolvia fraudes financeiras, corrupção de servidores públicos, lavagem de dinheiro e intimidação de adversários e jornalistas. O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta 4ª feira (4.mar.2026) a prisão de Vorcaro e de 3 pessoas ligadas a ele.
Além do banqueiro, foram presos Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e Marilson Roseno da Silva. Paulo Sergio Neves de Souza, ex-diretor do Banco Central, é alvo da operação, mas não foi preso porque já usa tornozeleira eletrônica.
A Polícia Federal dividiu as operações do grupo em 4 núcleos:
Eis a íntegra da decisão (PDF – 384 KB). Leia trecho:

Autorizada pelo ministro André Mendonça, a operação apura o grupo responsável por monitorar e intimidar adversários do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e levou à decretação da prisão preventiva de Vorcaro, Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e Marilson Roseno da Silva.
O documento cita troca de mensagens entre Vorcaro e Luiz Phillipe Machado de Moraes. Nas conversas, o dono do banco Master orientava ações de intimidação contra pessoas que considerava “inimigas”. Em um dos textos, Vorcaro orienta Mourão sobre um jornalista que publicou reportagens negativas sobre o Banco Master. “Quero dar um pau nele”, disse o empresário.
Segundo o despacho de Mendonça, a investigação do caso indica que Vorcaro emitia “ordens diretas” de atos de intimidação contra pessoas como “concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas” que prejudicariam os interesses do Master. O ministro também declarou que foram identificados registros de que o empresário teve “acesso prévio” a informações “relacionadas à realização de diligências investigativas”.
As mensagens indicam que o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, atuava como um mediador dos serviços do “núcleo de intimidação”, sendo responsável pelos pagamentos.
“Há robustos indícios de que as pessoas jurídicas listadas na representação policial foram criadas exatamente com esse intento delitivo, não havendo indicação de qualquer elemento que aponte para o real desempenho de atividades econômicas lícitas. O que se nota, pelo teor da representação, é que tais estruturas jurídicas foram engendradas exclusivamente para viabilizar a lavagem de dinheiro e dificultar a identificação do percurso dos recursos ilícitos obtidos”, considerou Mendonça.
O policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, também preso nesta 4ª feira, é apontado como um dos responsáveis pelo o grupo de nome “A Turma”, que buscava obter informações clandestinas e monitorar pessoas consideradas adversárias de Vorcaro.
Também foi autorizada a busca e apreensão em 15 endereços ligados aos investigados em São Paulo e Minas Gerais. Mendonça determinou o afastamento de cargos públicos e o sequestro de bens no montante de até R$ 22 bilhões.
Na decisão que autorizou a 3ª fase da Operação Compliance Zero, Mendonça entendeu que há indícios de que o grupo contratado por Vorcaro para intimidar adversários teve acesso a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais como a Interpol. O ministro decretou a prisão dos investigados por considerar que há risco à vida de possíveis vítimas dos ilícitos citados na investigação.
O caso chegou ao Supremo por envolver autoridades com prerrogativa de foro: na operação Compliance Zero, que investiga o Master, foi encontrado pela Polícia Federal um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) em um endereço ligado a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A relatoria do ministro foi marcada por rumores, críticas, decisões consideradas controversas e embates com a PF. Leia as principais:
Essas e outras relações de Toffoli com o caso Master elevaram a pressão para que o ministro deixasse a relatoria.
A temperatura subiu quando o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, levou em 11 de fevereiro um relatório ao presidente do Supremo, Edson Fachin, que sugeria a declaração de suspeição de Dias Toffoli na relatoria do caso Master.
A decisão de Andrei, considerada ousada, uniu 8 dos 10 ministros da Corte em defesa do colega, como mostraram diálogos exclusivos da reunião publicados pelo Drive e pelo Poder360. Na ocasião, foi decidido que Toffoli deixaria a relatoria da investigação em busca de uma autopreservação da Corte. Com a saída do ministro, a relatoria foi redistribuída para André Mendonça.
O Poder360 revelou em 29 de janeiro de 2026, com exclusividade, os depoimentos dos principais citados no caso Master.
A PF realizou uma acareação entre Paulo Henrique Costa, Daniel Vorcaro e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, para esclarecer contradições dos depoimentos sobre a origem das carteiras de crédito negociadas entre o BRB e o Banco Master.
O procedimento foi conduzido pela delegada Janaina Pereira Lima Palazzo em 30 de dezembro de 2025 na sede do Supremo Tribunal Federal. Tudo foi gravado em vídeo e o Poder360 teve acesso.
São 32 reportagens, 8 vídeos com as íntegras dos depoimentos, 15 vídeos com cortes de trechos dos depoimentos e uma apuração extensa. Acesse todos os materiais aqui.
Leia outras reportagens sobre o Caso Master já publicadas pelo Poder360:
Depoimentos:
📹 Assista à íntegra do depoimento de Aquino: parte 1 e parte 2.


