sem descrição BBC News fonte Getty Images/Mark Garlick Na próxima vez que você olhar para uma Lua cheia, lembre-se de Theia. Esse é o nome que os cientista sem descrição BBC News fonte Getty Images/Mark Garlick Na próxima vez que você olhar para uma Lua cheia, lembre-se de Theia. Esse é o nome que os cientista

Theia: o planeta que a Terra pode ter 'engolido', ajudando a formar a Lua

2026/02/11 01:03
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Na próxima vez que você olhar para uma Lua cheia, lembre-se de Theia.

Esse é o nome que os cientistas deram a um planeta hipotético que pode ter colidido com a Terra jovem há 4,5 bilhões de anos, liberando um fragmento que se tornaria a nossa Lua.

De acordo com essa teoria, sem o "sacrifício cósmico" de Theia, não teríamos nosso satélite natural permanente — e você talvez nem estivesse lendo este artigo.

Uma colisão de proporções cósmicas

Atualmente, os cientistas acreditam que uma enorme colisão entre a Terra e um objeto do tamanho de Marte liberou material suficiente para que este se aglomerasse e formasse a Lua.

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Chamada de hipótese do impacto gigante, o evento também deu início a uma relação cuja importância para a vida como a conhecemos não pode ser subestimada. Entre outras coisas, a Lua exerce uma força gravitacional semelhante a um cabo de guerra com o nosso planeta, que, ao longo de bilhões de anos, estabilizou a Terra enquanto ela girava em seu eixo, o que contribuiu para a estabilidade do nosso clima.

"Sem a estabilidade climática, teríamos condições climáticas e meteorológicas muito mais extremas, o que não seria bom para o desenvolvimento da vida", explica Thorsten Kleine, planetólogo do Instituto Max Planck de Pesquisa do Sistema Solar, na Alemanha.

Kleine fez parte de uma equipe internacional de pesquisadores que, em novembro passado, tentou esclarecer esse encontro marcante e misterioso da Terra.

Em um artigo publicado na revista Science, a equipe analisou a composição química de amostras da Terra e da Lua e reforçou as teorias de que Theia e nosso planeta eram o que poderíamos chamar de "vizinhos" em um momento caótico da formação do Sistema Solar.

As missões Apollo nas décadas de 1960 e 1970 foram cruciais para a nossa compreensão da Lua, incluindo como ela pode ter se formado — Foto: BBC News fonte As missões Apollo nas décadas de 1960 e 1970 foram cruciais para a nossa compreensão da Lua, incluindo como ela pode ter se formado — Foto: BBC News fonte

Uma Lua, muitas teorias

Mas nem sempre Theia foi tratada como hipótese principal como origem da Lua.

Antes de os humanos pisarem pela primeira vez na superfície lunar em 1969, havia três outras hipóteses principais.

De acordo com a teoria da fissão, a Lua se formou quando a Terra, girando rapidamente, soltou um pedaço seu no espaço.

A teoria da captura propunha que a Lua se formou em outro lugar do Sistema Solar e foi "laçada" pela gravidade da Terra ao passar por perto.

E existe também a teoria da coformação — de que a Terra e a Lua se originaram e se estabilizaram lado a lado.

Em vez de esclarecer qual dessas teorias seria a mais provável, as missões Apollo da Nasa apontaram para uma ideia completamente nova.

Semelhanças químicas

Embora o heroísmo de Neil Armstrong e de outros astronautas que pousaram na Lua seja mais associado à chegada dos humanos à Lua, as missões Apollo foram importantes também pelo conteúdo que eles trouxeram de lá.

"Os astronautas da Apollo trouxeram amostras de rochas lunares e, quando os cientistas as analisaram, descobriram que as rochas da Lua apresentavam notáveis ​​semelhanças químicas com a Terra", diz Raman Prinja, astrônomo do Universe College London e autor do livro infantil de ciências Maravilhas da Lua.

Isso sugere que a Lua pode ter se originado da Terra.

As amostras lunares trazidas à Terra pelas missões Apollo ainda são estudadas até hoje — Foto: BBC News fonte As amostras lunares trazidas à Terra pelas missões Apollo ainda são estudadas até hoje — Foto: BBC News fonte

Prinja afirma que as rochas apresentavam sinais de terem sido formadas sob calor extremo, sugerindo que elas se originaram de um impacto massivo.

Elas pareciam ter perdido grande parte dos elementos que vaporizam facilmente quando aquecidos, o que indica que a Lua estava em estado líquido quando se formou.

Sarah Valencia, geóloga lunar da Nasa, acrescenta que as pistas fornecidas pelas amostras são apenas a ponta do iceberg. Os avanços tecnológicos das últimas décadas, especialmente na modelagem computacional, fortaleceram a hipótese do grande impacto. Existem até teorias de que a inclinação do eixo da Terra seria uma consequência da colisão com Theia.

"A teoria do impacto gigante continua sendo o melhor modelo para explicar a química e a relação entre a Terra e a Lua", diz Valencia.

A Terra 'comeu' Theia?

Mas o que aconteceu com Theia?

Este é um dos grandes mistérios. Ao contrário do famoso asteroide que atingiu a Terra há 65 milhões de anos — dizimando os dinossauros e deixando uma enorme cratera na Península de Yucatán, no México — Theia não parece ter deixado vestígios óbvios.

Por quê? Kleine afirma que Theia tinha cerca de 10% da massa da Terra, e essa diferença significa que ele teria sido fragmentado com o impacto e em grande parte absorvida pela Terra. Um pedaço do planeta pode também ter se tornado parte da mistura que formou a Lua.

"Este seria o resultado natural de uma colisão desse tipo. Mas esperaríamos encontrar uma assinatura composicional de Theia na Lua, o que ainda não encontramos", diz o cientista.

Os cientistas suspeitam que Theia e a Terra tinham uma composição básica semelhante, assim como Vênus (à esquerda) e a Terra (à direita) compartilham propriedades semelhantes — Foto: BBC News fonte Os cientistas suspeitam que Theia e a Terra tinham uma composição básica semelhante, assim como Vênus (à esquerda) e a Terra (à direita) compartilham propriedades semelhantes — Foto: BBC News fonte

"Uma explicação é que a Terra e Theia eram muito semelhantes porque se formaram na mesma região do Sistema Solar", acrescenta ele, e, portanto, difíceis de distinguir.

Da mesma forma, sabemos que nosso planeta tem muitas características em comum com dois de seus vizinhos mais próximos, Vênus e Marte. Vênus é até mesmo chamada, às vezes, de "gêmea maligna da Terra".

"Mas, assim como a origem de Theia não é conhecida conclusivamente, seu destino também não é", alerta Valencia.

Existem algumas pistas, no entanto. Um estudo de 2023 afirmou que duas áreas do tamanho de continentes, nas profundezas da Terra, eram remanescentes de Theia.

Volta à Lua

Ainda há muito a aprender sobre como o nosso planeta e a Lua se tornaram um "casal", e essa é uma das razões pelas quais os cientistas estão tão entusiasmados com as atuais missões Artemis da Nasa e com o retorno humano à Lua.

Muitas perguntas permanecem sem resposta sobre a Lua, e é por isso que a Nasa planeja enviar humanos à sua superfície novamente nos próximos anos — Foto: BBC News fonte Muitas perguntas permanecem sem resposta sobre a Lua, e é por isso que a Nasa planeja enviar humanos à sua superfície novamente nos próximos anos — Foto: BBC News fonte

Além de experimentos mais avançados do que os possíveis na era Apollo, as missões mais recentes explorarão novas regiões da Lua, como o Polo Sul. As amostras lunares trazidas de volta à Terra pela Apollo vieram de uma área relativamente pequena da Lua — a região equatorial do lado visível.

"Se fôssemos apenas a seis lugares na Terra, poderíamos dizer que exploramos toda a Terra e entendemos sua evolução? Claro que não! A Lua tem um potencial científico infinito", diz Valencia.

Mas, por enquanto, com o que já aprendemos, podemos dizer que devemos um enorme agradecimento a Theia por seu sacrifício.

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