O Bitcoin voltou a cair com força nesta quinta-feira e aprofundou a preocupação do mercado ao mostrar um comportamento claro: faltam compradores dispostos a defender o preço. O BTC amanheceu cotado a R$ 375.790,10, após recuar cerca de 6% e ser negociado em torno de US$ 71 mil, em meio a um pessimismo amplo e à perda total de força dos touros.
De acordo com o analista Mike Ermolaev, fundador da OutsetPR, o movimento não começou dentro do setor cripto. Ele explica que o Bitcoin respondeu como um ativo de risco altamente volátil, espelhando o mau humor dos mercados globais. Nas últimas 24 horas, o BTC apresentou correlação elevada com o ETF de tecnologia QQQ e até com o ouro, o que sugere um ajuste macroeconômico amplo, motivado por juros elevados, dólar forte e queda no apetite por risco.
Ao mesmo tempo, a pressão vendedora aumentou no mercado futuro. Mais de US$ 320 milhões em posições alavancadas foram liquidadas em um único dia, sendo 87% delas posições compradas, o que acelerou a queda em efeito cascata. Além disso, o open interest subiu 12,8%, indicando entrada de novos vendedores, algo que reforçou a pressão contra o preço.
O cenário técnico também piorou rapidamente. O RSI de 14 períodos caiu para 22,8, nível que mostra uma condição de sobrevenda extrema. O Bitcoin passou a operar abaixo de todas as médias móveis importantes, um sinal clássico de tendência enfraquecida. Para Ermolaev, esses elementos costumam representar momentos de estresse acentuado. “Liquidações forçadas limpam o excesso de alavancagem e, muitas vezes, antecedem repiques de curto prazo”, afirmou o analista.
O mercado agora observa com atenção o suporte de US$ 71.600, que se transformou em um nível decisivo. Caso o BTC consiga segurá-lo, um repique técnico até US$ 78.800 ainda é possível. Contudo, uma quebra consistente desse patamar pode abrir espaço para uma correção mais profunda, mirando a faixa entre US$ 68 mil e US$ 70 mil.
Para o analista CryptoOnchain, essa região tem um peso ainda maior. Ele afirma que o Bitcoin voltou ao ponto mais importante de sua estrutura histórica recente: a zona de US$ 68 mil a US$ 72 mil, correspondente ao topo do ciclo anterior. Esse movimento representa um teste clássico de inversão de suporte e resistência, crucial para validar a tendência de longo prazo. Uma perda dessa área, segundo ele, seria “tecnicamente catastrófica”, pois devolveria o preço à faixa de negociação inferior do ciclo anterior.
Entretanto, os indicadores on-chain revelam um quadro ainda mais preocupante. A Razão de Compra Taker na Binance caiu para 0,486, o menor patamar desde outubro. Essa métrica mostra o equilíbrio entre compras e vendas agressivas. Quando o número fica tão baixo, significa que vendedores agressivos dominam completamente o fluxo, superando com folga os compradores.
CryptoOnchain alerta que, neste momento, a demanda por compras está sendo absorvida por volumes maiores de vendas. Isso indica que o mercado não encontra força suficiente para sustentar o preço nos níveis atuais. Ele reforça que, para manter o suporte entre US$ 68 mil e US$ 70 mil, apenas ordens passivas não serão suficientes. Será necessário ver compradores agressivos entrando no livro de ofertas — algo que ainda não ocorreu.
Diante desse cenário, cresce o risco de o Bitcoin perder o suporte dos US$ 68 mil caso o fluxo vendedor continue predominante. Sem uma mudança clara na dinâmica de compras, analistas afirmam que o mercado pode enfrentar uma queda adicional, reforçando a tese de que o BTC opera hoje em um ambiente de baixa liquidez compradora e pressão crescente, enquanto investidores aguardam novos gatilhos macroeconômicos que possam melhorar o humor global.
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