O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (2.fev.2026) que a defesa da democracia está diretamente ligada ao combate ao crime organizado. A declaração foi feita durante discurso no STF (Supremo Tribunal Federal), na abertura do Ano Judiciário.
Ao citar a operação Carbono Oculto, Lula apontou a ação como exemplo da atuação integrada entre o Judiciário, a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal para identificar os mandantes do crime organizado. “Magnatas do crime, que vivem no andar de cima, que não estão nas comunidades, mas em alguns dos endereços mais nobres do Brasil e do exterior. Não importa onde os criminosos estejam. Não importa o tamanho de suas contas bancárias”, afirmou o presidente.
No discurso, Lula disse que a reação das instituições aos ataques de 8 de Janeiro de 2023 foi decisiva para impedir uma ruptura democrática. Segundo ele, tentativas de subversão da ordem constitucional serão punidas.
O presidente afirmou que o enfrentamento ao crime organizado faz parte dessa resposta institucional. De acordo com Lula, grupos criminosos não atuam apenas por meio da violência, mas também no financiamento de ações que ameaçam o Estado democrático de Direito. “E todos, sem distinção, pagarão pelos crimes que cometeram”, declarou.
A operação Carbono Oculto, conduzida pela Polícia Federal com apoio da Receita Federal, investiga esquemas de lavagem de dinheiro, fraudes fiscais e ocultação de patrimônio no setor de combustíveis. As investigações atingiram empresários e operadores financeiros e resultaram no bloqueio de mais de R$ 3 bilhões em bens.
Paralelamente, o Palácio do Planalto administra a crise institucional aberta pelo caso do Banco Master, que ganhou dimensão política após envolver personagens do governo Lula, incluindo ligações entre o dono da instituição, Daniel Vorcaro, e o presidente.
Ainda no discurso, Lula afirmou que a Polícia Federal aprofunda as apurações sobre o crime organizado e os responsáveis serão punidos, independentemente de posição econômica ou influência política. O tema também será tratado em reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), prevista para março. O Brasil busca ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado.
Ao final, Lula disse que a preservação da democracia exige instituições fortes, cooperação entre os Poderes e enfrentamento permanente ao crime organizado.
Assista à cerimônia no STF (58min47s:
Leia os principais assuntos abordados por Lula em seu discurso:
- defesa das instituições – “Compareço a esta solenidade para reafirmar o compromisso das instituições brasileiras com a Constituição, a democracia e a soberania do Brasil”;
- ataques de 8 de Janeiro – “Foi um ataque frontal às instituições democráticas, que tentou romper a ordem constitucional e desrespeitar a vontade do povo brasileiro”;
- confiança institucional – “Hoje, participo desta celebração republicana com a confiança e a esperança renovadas”;
- resposta ao golpismo – “O Brasil é muito maior do que qualquer golpista e qualquer traidor da pátria”;
- papel do STF – “O Supremo Tribunal Federal não buscou protagonismo, muito menos tomou para si atribuições de outros Poderes”;
- ameaças aos ministros – “Por agirem de acordo com a lei, ministras e ministros desta Corte enfrentaram pressões e até ameaças de morte”;
- resolução de conflitos políticos – “No Brasil, divergências políticas se resolvem pelas urnas, pelo diálogo constitucional e pelas leis”;
- equilíbrio entre Poderes – “A Constituição exige diálogo permanente entre Executivo, Legislativo e Judiciário”;
- soberania nacional – “Reafirmamos que nenhuma nação se constrói sob tutela”;
- julgamento dos golpistas – “Aqueles que atentaram contra a democracia tiveram julgamento justo, com amplo direito de defesa”;
- fortalecimento democrático – “A democracia brasileira saiu desse processo mais forte e mais madura”;
- mensagem contra novas rupturas – “Os responsáveis por qualquer futura tentativa de ruptura democrática serão punidos com o rigor da lei”;
- papel do TSE – “O Tribunal Superior Eleitoral tem sido um pilar fundamental da soberania do voto e da legitimidade do processo eleitoral”;
- desafios tecnológicos – “Uma mentira contada mil vezes tem o poder de influenciar o processo eleitoral”;
- uso de IA e fake news – “A Justiça Eleitoral precisa agir com rigor e precisão para que a vontade popular prevaleça”;
- independência do Judiciário – “Independência não significa isolamento, mas convivência institucional harmônica”;
- combate ao crime organizado – “Não importa onde os criminosos estejam nem o tamanho da conta bancária. Todos pagarão pelos crimes que cometeram”;
- violência contra a mulher – “Assassinos e agressores devem ser punidos com rigor, mas também é preciso educar os meninos”;
- responsabilidade social – “Mais do que um pacto entre os Poderes, esse compromisso precisa envolver os homens”;
- democracia como processo – “A democracia não está pronta. Está em permanente construção e exige compromisso e coragem”.
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