Decisão vem após ocorrências nas minas de Fábrica e Viga com intervalo de menos de 24 horas no fim de semanaDecisão vem após ocorrências nas minas de Fábrica e Viga com intervalo de menos de 24 horas no fim de semana

Congonhas suspende alvarás da Vale após 2 vazamentos

2026/01/27 11:42

A Prefeitura de Congonhas (MG) suspendeu os alvarás de funcionamento das atividades minerárias da Vale no município. A decisão foi oficializada na 2ª feira (26.jan.2026) depois de 2 vazamentos serem registrados, em menos de 24 horas, em estruturas nas minas de Fábrica e de Viga, no domingo (25.jan).

A Prefeitura, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, informou, em seu perfil oficial no Instagram, que está autuando a empresa e suspenderá provisoriamente o alvará de funcionamento. A decisão vale até que todas as medidas exigidas sejam adotadas.

A gestão municipal também cobrou mais celeridade e transparência na divulgação de informações sobre o caso.

Depois do anúncio da suspensão, a Vale confirmou por meio de nota ter recebido o ofício da prefeitura determinando a suspensão dos alvarás de funcionamento das unidades de Fábrica e Viga. Além disso, a mineradora afirmou ter sido notificada a adotar medidas emergenciais de controle, monitoramento e mitigação ambiental. Leia a íntegra (PDF-110kB).

A empresa afirmou manter o compromisso com a segurança das pessoas e das operações. Declarou que suas barragens seguem estáveis e são monitoradas 24 horas por dia, 7 dias por semana.

A Vale disse ainda que já suspendeu as atividades nas unidades afetadas e que responderá às demandas dentro do prazo, colaborando com as autoridades. “Nossos guidances seguem inalterados”, destacou Marcelo Feriozzi Bacci, vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores.

Segundo o jornal O Tempo, para recuperar os alvarás, a mineradora precisará cumprir condicionantes técnicas estabelecidas pela prefeitura. Entre as exigências estria a apresentação, em 5 dias, de um Plano Técnico de Monitoramento dos Sumps, além da garantia ao poder público de acesso integral aos dados de turbidez e nível da água.

O Poder360 entrou em contato com a prefeitura do município. Um posicionamento será acrescentado a esta reportagem quando uma resposta for enviada.

Vazamentos no domingo

O 1º vazamento ocorreu por volta de 1h40 na mina de Fábrica, enquanto o 2º foi registrado aproximadamente às 18h na mina de Viga. Em ambos casos, a Vale teria demorado horas para comunicar os incidentes à prefeitura. O material que vazou das estruturas deixou marcas visíveis no leito do córrego Goiabeiras, que recebeu 263 mil m³ de lama proveniente das estruturas da Vale.

O volume liberado ultrapassou 220 mil metros cúbicos, quantidade equivalente a aproximadamente 88 piscinas olímpicas. O material extravasado atingiu rios da região e estruturas da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) na unidade Pires. O alagamento afetou almoxarifado, oficinas mecânicas, acessos internos e áreas de embarque da empresa.

A Vale informou que o vazamento não tem relação com barragens e que comunicou os órgãos competentes sobre o ocorrido. A empresa iniciou investigações para determinar as causas do incidente. Chuvas intensas na região central de Minas Gerais podem estar relacionadas ao transbordamento. Uma avaliação preliminar indica que volumes pluviométricos superiores a 100 milímetros nos dias anteriores possivelmente contribuíram para o extravasamento.

Em conversa com jornalistas, o prefeito Anderson Cabido (PSB) contestou a justificativa da Vale de que os problemas recentes foram causados pelo excesso de chuva. Para ele, o volume registrado “era previsível” e não isenta a mineradora de responsabilidade.

Ainda de acordo com O Tempo, a Vale, por meio do vice-presidente Executivo Técnico, Rafael Bittar, afirmou que as ocorrências se devem às chuvas intensas. Segundo ele, a média histórica para janeiro é de 300 mm, mas, em apenas 4 dias, foram registrados 280 mm na região. Na área industrial da mina de Viga, mais de 100 mm teriam caído em poucas horas.

Segundo a prefeitura de Congonhas, uma sala de crise foi montada na área da Mina de Fábrica, com participação das defesas civis de Congonhas e de Ouro Preto, da Coordenadoria de Estado de Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, da Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas da Prefeitura de Congonhas e do Ministério Público do Estado de Minas Gerais.

Mais cedo nesta 2ª feira, a Prefeitura de Ouro Preto emitiu nota oficial sobre o ocorrido:

“A Prefeitura de Ouro Preto informa que, na madrugada de domingo (25), houve um extravasamento de água com sedimentos em uma cava da Mina de Fábrica, da Vale, na divisa entre o município e a cidade de Congonhas. Assim que foi registrada a ocorrência, em uma ação conjunta, equipes da Secretaria de Segurança e Trânsito e da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável estiveram no local para apurar o ocorrido e realizar as avaliações necessárias. A Defesa Civil constatou que não houve vítimas, mas que o escritório de uma empresa da região foi alagado. Os profissionais seguem monitorando a área. A Prefeitura de Ouro Preto ressalta que a ocorrência aconteceu em uma localidade rural, afastada do Centro Histórico e pouco populosa. Em solidariedade com a Prefeitura de Congonhas, Ouro Preto segue o monitoramento e a pauta de uma ação conjunta dos dois municípios para sanar os danos do desastre.”

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