Bancos movimentam ouro entre Londres e Nova York para evitar perdas com contratos futuros e aproveitar preços mais altos nos EUA. — Foto: Pixabay
Nesta segunda-feira (26), o preço do ouro atingiu um recorde histórico de US$ 5.100, antes de recuar da máxima e fechar em alta de 2,2%, a US$ 5.089. Esta é a primeira vez que o metal precioso ultrapassa a marca de US$ 5.000 por onça, e aconteceu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar o Canadá com tarifas de 100% caso o país "feche um acordo com a China", e subir o tom com a Europa sobre o futuro da Groenlândia.
Desde a posse de Trump, há pouco mais de um ano, o preço do ouro subiu quase 90%. Steve Miller, consultor de estratégia de investimentos da gestora de ativos GSFM, disse ao The Guardian que nunca tinha visto nada parecido em suas quatro décadas de atuação no mercado financeiro.
“O segundo choque do petróleo e o susto da inflação no final dos anos 70 e início dos anos 80 foram as últimas vezes que me lembro de o ouro ter se comportado dessa forma – e isso foi antes da minha época nos mercados”, relatou.
Ele acrescentou que a recente alta do metal ocorreu em meio a preocupações de que o governo Trump tomaria medidas para enfraquecer o dólar americano. Outra razão para a subida vertiginosa foi a notícia de que o Federal Reserve (FED) dos EUA está contatando os bancos para verificarem a taxa de câmbio entre o dólar americano e o iene japonês.
“Se o Federal Reserve está fazendo isso em nome do Tesouro dos EUA, é por um único motivo: eles acham que o dólar americano está muito valorizado”, observou Miller.
Dentro da administração Trump, figuras-chave já indicaram, em diferentes momentos, preferência por um dólar mais fraco como estratégia para estimular a indústria doméstica e tornar as exportações dos Estados Unidos mais competitivas.
Mas essa abordagem tem efeitos colaterais relevantes: a desvalorização da moeda reduz o valor real de ativos centrais para o país, como os títulos do Tesouro, reforçando o apelo do ouro como reserva de valor.
Miller afirmou que o metal precioso continuará a ter alta procura como fonte de diversificação e segurança enquanto a incerteza prevalecer nos mercados financeiros globais.
“Acho que ainda pode haver potencial de valorização. Mas tão bom quanto isso é que pode protegê-lo da turbulência em outras classes de ativos”, completou.


