O ex-promotor especial dos Estados Unidos Jack Smith declarou nesta 5ª feira (22.jan.2026) que o presidente norte-americano Donald Trump (Partido Republicano) violou deliberadamente as leis do país. A declaração foi feita durante depoimento à Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes, em Washington.
“Donald Trump foi acusado porque as provas indicaram que ele violou deliberadamente as mesmas leis que jurou defender. Se eu tivesse de tomar hoje a mesma decisão, processaria um ex-presidente com base nos mesmos fatos, independentemente de filiação partidária”, afirmou Smith aos congressistas.
A declaração veio em resposta a questionamentos do deputado republicano Darryl Issa, que acusou Smith de motivação política nas investigações e sugeriu que o ex-promotor teria atuado contra adversários do então presidente Joe Biden. Issa afirmou que os alvos das investigações seriam inimigos políticos do governo democrata.
Este foi o 1º depoimento público de Jack Smith desde que deixou o cargo. Havia sido nomeado em 2022 para conduzir duas investigações federais contra Trump: 1) sobre a retenção de documentos classificados ao fim do mandato presidencial e 2) a respeito de tentativas de reverter o resultado da eleição de 2020, incluindo o episódio de 6 de janeiro de 2021, no Capitólio.
Promotores especiais nos Estados Unidos atuam de forma independente, sem supervisão diária da liderança do Departamento de Justiça, cujos cargos são ocupados por indicados políticos.
O presidente da Comissão de Justiça, deputado Jim Jordan (Partido Republicano), foi o responsável por autorizar a intimação que convocou Smith a depor. Congressistas republicanos buscam esclarecimentos sobre a condução das investigações contra Trump, sob o argumento de possível viés político.
Smith investigou Trump, que voltou a disputar a Presidência contra Biden na eleição de 2024. Os 2 processos criminais federais abertos contra o ex-presidente foram posteriormente arquivados.
Trump se declarou inocente em todas as acusações. Os processos foram arquivados depois da vitória eleitoral de 2024, em razão de uma diretriz do Departamento de Justiça dos Estados Unidos que impede a persecução criminal de um presidente em exercício.
As apurações tratavam da guarda irregular de documentos classificados e de tentativas de invalidar o resultado da eleição presidencial de 2020. O entendimento do Departamento de Justiça é que ações criminais federais não devem prosseguir enquanto o presidente exerce o mandato. Especialistas afirmam que eventuais processos podem ser retomados quando o chefe do Executivo deixar o cargo.


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