TikTok — Foto: Getty Images
Ellen Roome, mãe do adolescente Jools, de 14 anos, morto em abril de 2022, juntou-se a outras três famílias britânicas em um processo histórico contra o TikTok nos Estados Unidos. Ela afirma suspeitar que o filho tenha morrido ao tentar reproduzir um chamado “desafio do apagão”, visto na plataforma. O caso será analisado nesta semana por um tribunal de Delaware e pode obrigar a empresa a entregar dados da conta do jovem antes de sua morte.
Segundo informações exclusivasdo tabloide britânico The Sun, Ellen, de 49 anos, é a primeira britânica a processar formalmente uma empresa de redes sociais pela morte de um filho. O TikTok, avaliado em bilhões de dólares, teria se recusado a fornecer os dados do perfil de Jools e de outras crianças envolvidas em casos semelhantes, alegando políticas de proteção de dados.
Além da ação nos EUA, a mãe conseguiu que a polícia de Gloucestershire, no Sudoeste da Inglaterra, reabrisse a investigação sobre a morte do filho, após a apresentação de novas informações. Parlamentares de diferentes partidos também passaram a apoiar a criação da chamada Lei de Jools, que obrigaria empresas de tecnologia a preservar e fornecer dados digitais quando um menor morre em circunstâncias suspeitas.
Em entrevista ao The Sun, Ellen disse que o objetivo sempre foi esclarecer os fatos. Ela também relatou as últimas palavras do filho — “eu te amo” — poucas horas antes de encontrá-lo sem vida em seu quarto. De acordo com a família, Jools não apresentava histórico de depressão ou automutilação.
O processo coletivo reúne ainda pais de outras três crianças britânicas que morreram após suposto contato com conteúdos perigosos em redes sociais. O advogado das famílias, Matthew P. Bergman, do Social Media Victims Law Center, sustenta que as plataformas devem ser responsabilizadas não apenas pelo conteúdo publicado, mas pelos algoritmos que o impulsionam até crianças.
O caso ganhou força em meio a discussões políticas no Reino Unido sobre restringir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais, nos moldes do que já ocorre na Austrália. A baronesa Beeban Kidron apresentou uma emenda no Parlamento para incorporar a Lei de Jools à legislação em tramitação, garantindo a preservação automática de dados digitais em casos de morte infantil.
Procurado, o TikTok afirmou, em nota, que lamenta profundamente as mortes e que proíbe conteúdos que incentivem comportamentos perigosos. A empresa declarou remover a maioria das violações antes mesmo de denúncias, cumprir as leis de proteção de dados do Reino Unido e manter ferramentas de segurança específicas para adolescentes.
Para Ellen, porém, as medidas são insuficientes. Ela defende verificações rigorosas de idade e maior atuação do regulador britânico, a Ofcom. “Se fosse qualquer outro produto perigoso, ele seria retirado de circulação até se tornar seguro”, afirmou ao The Sun. Enquanto a batalha judicial avança nos EUA, a mãe diz esperar que o caso ajude outras famílias a não enfrentarem as mesmas barreiras na busca por respostas.

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