Os bancos centrais dos países compraram mais ouro para as suas reservas internacionais e reduziram sua exposição ao dólar norte-americano. Levantamento da Austin Rating a pedido do Poder360 mostra que mais de 20% do volume de recursos é com o metal precioso, ultrapassando a quantia reservada com o euro.
As reservas internacionais são os ativos externos mantidos pelos bancos centrais dos países para garantir a estabilidade financeira e cambial. Funcionam como uma espécie de “colchão de segurança” em momentos de crise, permitindo que governos honrem compromissos externos, estabilizem a moeda local e enfrentem choques como fugas de capitais ou crises no comércio internacional.
O ouro representava 21,9% das reservas internacionais no 3º trimestre de 2025. Subiu 13,9 pontos percentuais desde 2015. Apesar de ter aumentado de 18,9% em 2024 para 20,3% no 3º trimestre de 2025, o euro ficou abaixo do ouro.
O dólar, por sua vez, caiu para 56,9%, ou 7,3 pontos percentuais abaixo do registrado em 2015.
Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating, disse que o ouro, historicamente, é uma reserva de valor forte, utilizada principalmente em momentos de incerteza e busca por segurança. Ele declarou que o dólar tem perdido espaço nas reservas globais, mas o movimento está “longe de ser um prenúncio de desdolarização”.
Ele disse que quase 60% das reservas globais ainda são em dólar. Para o economista, há um fator conjuntural que mostra incertezas, como disputas tarifárias, tensões geopolíticas e um certo receio de novas guerras.
“Os agentes têm realmente se protegido em outras moedas. O presidente Donald Trump é truculento e as tarifas foram uma medida econômica bastante atabalhoada, isso somado a sua truculência política com outros países e outros presidentes, provoca incerteza”, declarou Sartori.
Para o economista da Austin, a conjuntura “caótica” faz com que os países e seus bancos centrais procurem outras moedas que sinalizem um pouco mais de estabilidade. Os investidores procuram maiores rendimentos em outras dívidas.
“O movimento de desvencilhamento do dólar é lento e não vai ser uma perda de hegemonia, mas parece uma busca por outras alternativas em um mundo que parece cada vez mais incerto, dado o cenário político dos EUA e geopolítico global”, disse Sartori.
As reservas totalizaram US$ 18,0 trilhões no 3º trimestre de 2025. A quantia em ouro representava US$ 3,9 trilhões do total. O montante subiu 43,5% no acumulado de 2025. Enquanto isso, a reserva sem ouro subiu de US$ 13,3 trilhões para US$ 14,1 trilhões no período, uma alta de 5,5%.
As reservas são compostas principalmente por moedas estrangeiras fortes, historicamente, o dólar, o euro e títulos públicos de outros países. O dólar ocupa posição central nas reservas há décadas.
O Poder360 já mostrou que o dólar perdeu força e o ouro valorizou por questões geopolíticas. O metal passou a ter papel importante como reserva de valor em momento que países querem ter menor exposição às treasuries dos EUA, os títulos soberanos do país norte-americano.
O uso político de sanções financeiras e comerciais, principalmente pelo presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), ampliou a procura dos países pelo ouro. A imprevisibilidade da política econômica do chefe de Estado dos EUA e o crescimento acelerado da dívida do país acenderam alertas e fizeram com que países reavaliassem a exposição de suas reservas ao dólar.
O ouro não depende da solvência ou das decisões de um governo específico. É um ativo físico, sem risco de crédito e historicamente visto como proteção em períodos de instabilidade geopolítica, fragmentação do comércio global e dúvidas sobre a segurança dos ativos financeiros tradicionais. Ao ampliar a participação do ouro em suas reservas, os bancos centrais buscam diversificação, redução de riscos políticos e maior autonomia, num cenário em que a ordem financeira internacional permanece dominante, mas já não é vista como imutável.
Dados do World Gold Council mostram que há países que têm mais de 80% de suas reservas internacionais em ouro, como o Uzbequistão, a Alemanha e os Estados Unidos. França, Itália e Holanda têm mais de 70% das reservas em metal.
O Brasil ocupa a 55ª posição na lista com 65 nações, com 5% das reservas em ouro. Os dados são do 3º trimestre de 2025.
Os Estados Unidos têm 8.133,5 toneladas de ouro, segundo dados do World Gold Council. A Alemanha fica em 2º lugar, com 3.350,3 toneladas. A Itália completa o top 3, com 2.451,8 toneladas. O Brasil tem 145,1 toneladas.
O Poder360 publicou recentemente que o Banco Central adquiriu 42,8 toneladas de ouro de setembro a novembro. As reservas do metal precioso aumentaram de 129,6 para 172,4 toneladas.



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