Telefone — Foto: Arte/EN/Clayton Rodrigues
Você já deve ter usado seu celular hoje para mandar mensagem para alguém, gravar um áudio, ouvir uma música ou tirar uma foto. Com diferentes modelos e funcionalidades, hoje o smartphone já faz parte do dia a dia das pessoas e foi para além das simples ligações. Mas para chegar até aqui, foi um longo caminho percorrido. E um dos responsáveis por abrir essa porta da comunicação foi o telefone.
Mas quem foi o inventor? A história não é tão simples. O nome mais conhecido é Alexander Graham Bell. Nascido em 1847, em Edimburgo, na Escócia, Graham Bell cresceu em uma família ligada à voz e à audição. Seu pai, o fonoaudiólogo Alexander Melville Bell, foi o criador do Visible Speech, um sistema de símbolos para ensinar surdos a falar. Sua mãe, Eliza Grace Symonds Bell, começou a perder a audição ainda quando criança. Além disso, sua esposa, Mabel Gardiner Hubbard, com quem se casou pouco depois de sua invenção, também havia perdido a audição desde a infância.
Alexander Graham Bell — Foto: Domínio público
Essas influências pessoais podem ter servido de motivação para suas pesquisas sobre voz e som. Graham Bell foi professor de surdos e estudava acústica e fala. Ele acreditava que a fala poderia ser ensinada, algo controverso na época, por se opor à língua de sinais.
Ele, que morava nos Estados Unidos, pesquisava o telégrafo, que transmitia mensagens por fio, quando teve a ideia de tentar transmitir sons. Com a ajuda de seu assistente Thomas Watson, ele construiu um aparelho que conseguia converter vibrações sonoras em sinais elétricos. Esses sinais passavam pelo fio e eram convertidos novamente em sons do outro lado.
Telefone Experimental de Alexander Graham Bell — Foto: National Museum of American History via Wikimedia Commons
Em 10 de março de 1876, acontecia a primeira transmissão de voz humana por um telefone, com Graham Bell dizendo ao seu assistente: “Mr. Watson, come here, I want to see you.” (“Sr. Watson, venha aqui, quero vê-lo.”). O aparelho era bem diferente daqueles que você deve se lembrar, de discagem. Um único dispositivo servia para falar e ouvir.
Mas Graham Bell não foi exatamente o único inventor do telefone, apesar de ter patenteado a descoberta. O italiano Antonio Meucci, que morava em Nova York, nos Estados Unidos, criou algo parecido em 1850, chamado "telettrofono", para se comunicar com sua esposa doente, mas não conseguiu patentear sua invenção. Na verdade, ele chegou a fazer um pedido provisório de patente, mas não conseguiu pagar a renovação anual. Só bem mais recente, em 2002, que o Congresso dos Estados Unidos reconheceu sua contribuição histórica. Isso não retirou a patente de Graham Bell, mas reconheceu o papel pioneiro do italiano.
Antonio Meucci — Foto: Domínio público via Wikimedia Commons
Outro nome frequentemente citado na história do telefone é Elisha Gray. Ele criou um transmissor de voz elétrico e entrou com um pedido provisório de patente. Mas Graham Bell fez o pedido de patente completa no mesmo dia, o que deu a ele prioridade legal sobre a invenção.
A partir da invenção do telefone, Graham Bell fundou a Bell Telephone Company, empresa que se destacou na implementação do telefone, mas se afastou pouco tempo depois dizendo que invenção o distraía de pesquisas mais importantes.
Os primeiros a usar o telefone foram empresas e governos, mas para chegar às casas foi preciso criar redes telefônicas, com telefonistas conectando manualmente chamadas, e passar por um processo de popularização, já que o aparelho era caro e considerado um artigo de luxo na época.
Eram, aliás, bem diferente dos aparelhos que costumamos lembrar. Os primeiros, no final do século 19, separavam a parte de ouvir da parte de falar, com chamadas feitas girando uma manivela. Os telefones com discadores rotativos que ligavam por um fio o aparelho que integrava o fone e microfone foram se popularizar só por volta de 1930. Os telefones com teclado numéricos apareceram entre 1960 e 1980, enquanto os telefones sem fio chegaram após 1980.
A tecnologia foi evoluindo até os celulares, que fazem muito mais do que ligações. Assim, o telefone mudou a forma como as pessoas se comunicam, encurtou distâncias e abriu caminho para novas tecnologias.


