A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta 2ª feira (5.jan.2026) a criação de uma comissão oficial para a liberação de Nicolás Maduro e da ex-primeira-dama Cilia Flores, presos em Nova York. O grupo é presidido por Jorge Rodríguez Gómez, chefe da Assembleia Nacional, e inclui o chanceler Yván Gil.
Acompanhada pelo ministro de Defesa, Vladimir Padrino López, Delcy visitou o hospital militar Carlos Arvelo, em Caracas, para prestar apoio aos funcionários atingidos pela ofensiva norte-americana do último sábado. O governo de Cuba confirmou a morte de 32 militares que atuavam em território venezuelano durante os ataques.
Além do grupo político, Delcy Rodríguez, criou uma comissão para assegurar a “soberania alimentar e o abastecimento” do país. A medida responde ao momento de “especial vulnerabilidade” provocado pela crise e pela paralisação de serviços essenciais depois dos bombardeios.
Em sua 1ª audiência no Tribunal do Distrito Sul de Nova York, Nicolás Maduro se declarou inocente de todas as 4 acusações contra ele. Falando em espanhol ao juiz Alvin K. Hellerstein, Maduro se identificou como “presidente da República da Venezuela” e afirmou ter sido “sequestrado”.
“Sou inocente, não sou culpado. Sou um homem decente”, declarou o venezuelano. Cilia Flores também se declarou inocente e sua defesa alegou que ela sofreu ferimentos durante a captura. Os advogados mencionaram, sem detalhar, que Maduro apresenta “problemas de saúde” e que ambos precisam de atenção médica.
O presidente dos EUA, Donald Trump, falou à Fox News que acompanhou a operação em tempo real de Mar-a-Lago, na Flórida. Segundo Trump, Maduro tentou buscar refúgio no momento do ataque, mas a detenção se deu em “questão de segundos”.
O republicano publicou uma foto de Maduro logo depois da prisão, onde o venezuelano aparece usando abafadores de ruído a bordo do navio USS Iwo Jima. A ofensiva de 3 de janeiro resultou em fortes bombardeios em Caracas e em outros 3 Estados, deixando um saldo estimado de 80 mortos, segundo o New York Times.
Trump anunciou no sábado (3.jan), em seu perfil na rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou Maduro e sua mulher, Cilia Flores.
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que o presidente dos EUA ordenou a captura de Maduro na noite da 6ª feira (2.jan). A operação foi realizada na madrugada de sábado (3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeiros, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.
Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas, capital venezuelana, para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.
Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.
Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso norte-americano. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.
É incerto se houve mortos e feridos na ação. Até a publicação desta reportagem, autoridades venezuelanas não haviam divulgado números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação.
Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA. Não falou sobre eventuais mortes venezuelanas.
No início da tarde de sábado (3.jan), Trump afirmou a jornalistas que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração do país até que uma transição política fosse definida. Não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.
Pela Constituição venezuelana, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.
Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.
Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.
A vice também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse.
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