China aperta a carne: Minerva (BEEF3), Marfrig (MRFG3) e JBS (JBSS3) no alvo
A China começou 2026 mexendo em um dos pilares do agronegócio brasileiro. Em uma decisão que muda o jogo para exportadores e investidores, Pequim instituiu uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina para o Brasil, válida por três anos, e determinou uma sobretaxa de 55% para qualquer volume embarcado acima desse limite. A medida entra em vigor já em 1º de janeiro e reacende discussões sobre exposição setorial, fluxo de receitas e impacto nas ações ligadas à proteína animal.
O peso da decisão é relevante porque a China segue como o principal destino da carne bovina brasileira. Em 2025, o país asiático respondeu por 54% das exportações nacionais do produto. Apenas nos primeiros 11 meses do ano passado, os embarques do Brasil somaram 1,33 milhão de toneladas, volume superior ao teto agora definido pelas autoridades chinesas.
Segundo o Ministério do Comércio do país, a medida faz parte de um mecanismo de salvaguarda para proteger o setor pecuário doméstico, que vinha sendo pressionado pelo aumento das importações. O governo local argumenta que a entrada elevada de carne estrangeira afetou negativamente produtores chineses e que a política busca criar espaço para ajustes estruturais no mercado interno.
Embora a cota seja aplicada ao fluxo total do Brasil, o impacto sobre as empresas listadas na B3 não é uniforme. A Minerva (BEEF3) aparece como a mais exposta ao mercado chinês, com cerca de 17% da receita ligada ao país. Na sequência vêm a Marfrig (MRFG3), com aproximadamente 5%, e a JBS (JBSS3), com algo em torno de 3% de exposição direta.
Essa assimetria ajuda a explicar por que o mercado tende a reagir de forma diferente entre os papéis do setor, mesmo diante de uma decisão regulatória comum. Empresas mais concentradas em um único destino costumam ser mais sensíveis a mudanças comerciais desse tipo.
Apesar do impacto potencial, analistas avaliam que o efeito não deve ser imediato ou linear. Para a Genial Investimentos, fatores estruturais do mercado global ajudam a suavizar a leitura no curto prazo.
“Ainda assim, a escassez global de carne bovina e a demanda firme tendem a amortecer parte do efeito no curto prazo”, avalia a casa. O Ministério da Agricultura também informou que acompanha o tema e pretende atuar para mitigar impactos, o que pode reduzir incertezas ao longo da implementação da nova política.
Para quem investe em Minerva (BEEF3), Marfrig (MRFG3) e JBS (JBSS3), o episódio reforça a importância de acompanhar não apenas volumes exportados, mas também diversificação geográfica, capacidade de redirecionar vendas e poder de negociação de preços. No curto prazo, a decisão tende a adicionar volatilidade aos papéis; no médio prazo, o mercado seguirá calibrando expectativas conforme a adaptação das empresas ao novo desenho imposto.
Em seu comunicado oficial, o Ministério do Comércio da China afirmou que “o aumento das importações de carne bovina causou danos sérios à indústria doméstica chinesa, havendo uma relação causal clara entre o crescimento do volume importado e esse prejuízo”, acrescentando que as medidas de salvaguarda incluem “cotas específicas por país e a aplicação de tarifas adicionais sobre os volumes que excederem os limites estabelecidos”, com vigência inicial de três anos a partir de janeiro de 2026.


