A Rússia apresentou um pedido diplomático formal aos Estados Unidos para que interrompam a perseguição a um navio petroleiro que navega em direção à Venezuela e passou a ser monitorado pela Guarda Costeira dos Estados Unidos no oceano Atlântico.
O documento foi entregue ao Departamento de Estado dos EUA na 4ª feira (31.dez.2025), segundo o New York Times. A embarcação, conhecida como Bella 1, tentou obter proteção russa ao pintar a bandeira do país no casco, enquanto autoridades norte-americanas a classificam como “sem nacionalidade”.
O episódio se dá enquanto os Estados Unidos negociam um possível acordo de paz entre Rússia e Ucrânia. O presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), recebeu na 4ª feira (28.dez.2025) o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky (Servo do Povo, centro), em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida. Ambos demonstraram otimismo com o avanço das negociações.
O pedido russo para interromper a perseguição ao petroleiro amplia a tensão entre Washington e Moscou durante as negociações sobre a guerra na Ucrânia.
As forças norte-americanas monitoram o Bella 1 há cerca de duas semanas. A embarcação saiu do Irã e seguia para a Venezuela para carregar petróleo quando houve uma tentativa de interceptação no Mar do Caribe.
Autoridades dos Estados Unidos declaram que o navio não exibia bandeira nacional válida, o que o enquadraria como embarcação “sem nacionalidade”, passível de abordagem segundo o direito internacional. Também disseram ter um mandado de apreensão. A tripulação, no entanto, não acatou as ordens e retornou ao oceano Atlântico.
Nos dias seguintes, o navio buscou proteção da Rússia. A tripulação pintou uma bandeira da Rússia na lateral da embarcação e informou via rádio à Guarda Costeira que navegava sob autoridade do país. O Bella 1 passou a constar em registros russos com o nome Marinera, tendo como porto de origem Sochi, no mar Negro.
Um funcionário do governo norte-americano afirmou, sob condição de anonimato ao New York Times, que a administração Trump continua considerando o petroleiro como “sem nacionalidade”, porque utilizava bandeira considerada falsa no momento da abordagem inicial.
Trump adotou medidas restritivas contra o transporte de petróleo venezuelano como forma de pressionar o governo de Nicolás Maduro (Partido Socialista Unido da Venezuela, esquerda). Os Estados Unidos já abordaram e apreenderam outros 3 petroleiros no Caribe e indicaram a intenção de ampliar essas ações.
Em resposta, Maduro determinou que a Marinha venezuelana escoltasse alguns petroleiros que deixam o país e avaliou a possibilidade de posicionar tropas a bordo das embarcações, o que eleva o risco de confronto em alto-mar.
A Rússia reiterou apoio político à Venezuela após as medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o transporte de petróleo do país. Em comunicado divulgado depois de conversa entre os chanceleres, o Ministério das Relações Exteriores russo declarou manter “solidariedade” com o governo de Nicolás Maduro.

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